Política

Vereadores de Maceió debatem sobre paralisação de atividades da Braskem


Marcos Felipe
Fonte: Redação

22/02/2019 10h08

 

O vereador Francisco Sales (PPL) chegou esta semana com um novo capítulo na Câmara de Maceió envolvendo os trabalhos da mineração da Braskem. O parlamentar denunciou que rachaduras semelhantes as do bairro do Pinheiro estão aparecendo em Bebedouro e Mutange. Sales pediu a suspensão do trabalho de mineração da empresa, posicionamento que gerou um debate no plenário.


Sales iniciou o seu discurso de forma tranquila: “Visitamos dezenas de casas e identificamos rachaduras e fissuras e várias residências. É lamentável a gente saber que esse problema não está somente no bairro do Pinheiro. Como ocorreu no mês passado, tanto o governador Renan Filho como o doutor Alfredo Gaspar de Mendonça, solicitou que as atividades da Braskem fossem interrompidas no bairro do Pinheiro, também faço isso, que sejam paralisadas as atividades nos bairros de Bebedouro e Mutange, até que essas respostas venham para a sociedade, de uma forma preventiva”. Moradores relataram que onde a empresa está fazendo extração, o chão treme e as paredes estão rachando.


Siderlane Mendonça (PEN) foi um dos que apoiaram o parlamentar. “As ações tem sido contínuas nas comunidades e ninguém tem feito nada. Eu não sei qual é o medo dos órgãos públicos em paralisar as atividades da empresa”.
Chico Filho (PP) foi um dos que defendeu a empresa e colocou a importância econômica da Braskem para o Estado, dizendo que mais de 15 mil empregos diretos são gerados diretamente com a indústria do plástico.


“Pedir a suspensão sem indícios mínimos necessários para que assim o faça é uma grande irresponsabilidade”, mas depois voltou atrás: “Sei que o que está em jogo são vidas, se a empresa tiver qualquer responsabilidade, eu serei o primeiro que estará aqui para cobrar”. E continuou: “Esta casa tem que ter muita responsabilidade, estamos lidando com a economia do estado. A Braskem representa 22% para Alagoas e no município isso passa dos 30%. Se suspender a atividade de Bebedouro e Mutange, fecha a Braskem. E coloca 22 mil desempregados imediatamente”.


Chico Filho amenizou o discurso e colocou que se houver um documento oficial com indícios da Braskem como responsável, ele irá pedir a prisão dos diretores da empresa.
Francisco Sales ganhou um aliado com Galba Netto (MDB). “Eu acho que toda essa situação vem ganhando corpo e com toda justificativa do mundo tirando o sono dos moradores, pelo tempo que se leva para se dar uma resposta e infelizmente a administração pública passa a contar com a sorte, esperando que uma providência divina chegue para resolver”.
Ele disse que ouviu atentamente o colega, e classificou Chico Filho como um “defensor da classe produtiva e industrial”.


“Dentro dessa situação de tragédias sequenciais, infelizmente eu sou favorável a proposta do vereador Sales que vem com a justificativa de alguém que vive no bairro e que visitou mais de 40 casas e todos se encontram com rachadura. Tudo o que anda sendo feito na exploração do solo que possa fragilizar ainda mais este solo deve ser evitado para preservar vidas”, falou Galba Netto, relembrando as tragédias de Brumadinho e Mariana.
Sales disse que entende a preocupação do colega em relação à parte econômica. “A Braskem não tem uma participação econômica maior do que a Vale tem ou tinha, para o estado de Minas Gerais. Não podemos fazer mais nada depois de uma tragédia. Prisão de diretor e qualquer outra pessoa não vai trazer uma vida de volta. Não quero fazer terrorismo, mas o problema não está só no Pinheiro”. E concluiu: “Se o solo está danificado, a Braskem não pode mexer nesse solo. Não precisar ser um geólogo para entender isso. Como eles vão extrair em um solo já danificado, independente da causa”.

Silvania Barbosa (PRTB) tentou amenizar os dois lados. “Tem quer ter um indício. Mas fica uma pergunta: Porque os próprios geólogos que estão no estudo, que estão fazendo essa análise não pedem a suspensão? Porque eles sabem da responsabilidade. Então tem que ter a coerência. Eles têm a noção mais ou menos do que está acontecendo”. Para ela, as pessoas mais aptas a pedir a suspensão são os geólogos.

Ronaldo Luz (MDB) disse que não estava para defender e nem condenar a Braskem.
“Maior predador do planeta Terra é o homem. Os prejuízos para o povo devem ser reparados logo. Seria muito injusto tirar aqui um diagnóstico e punir a empresa. A gente tem agir com cautela antes de tirar a conclusão disso”.Vale lembrar que no início da semana, os vereadores criaram uma comissão parlamentar para investigar os trabalhos que estão sendo investigados. A maioria dos discursos dos vereadores é sobre a falta de informação e a demora na conclusão do laudo que deve sair apenas no mês de junho. Até lá, as famílias que estão nas áreas de risco devem se mudar antes do período de chuvas.

Foto: (Ascom Câmara)
Foto: (Ascom Câmara)
Foto: (Ascom Câmara)


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